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Há tantas terras e tantas
Nesta orbe imensa, infinida...
Vê tu, ó Sol, entre tantas,
Se encontras uma tão linda!
Olhai os morros branquinhos,
Cheinhos de neve a brilhar...
Neve não! Roupa de anjinhos
Ao sol de Inverno a corar
Ó meu Vez! Desces da serra,
Sempre tão lesto, a cantar!...
Vai devagar, olha a terra:
Não vês que fica a chorar?
Cantigas, lindas cantigas,
Frescas, singelas, fagueiras,
Ouço-as eu às raparigas
Durante a faina das eiras.
Graciosa, gentil, casta, singela,
Esta terra elevada e denairosa,
Olhar suave e meigo qual estrela
Refulgente de luz, pura e formosa.
 
António José Pimenta Ribeiro
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